Archive for the ‘Comunicação’ category

Errar os “maus” faz mal?

December 11th, 2009

Todos nós sabemos que muita coisa hoje em dia pode fazer mal. Mas errar os “maus” também faz mal? Como, quase sempre, o uso é imperceptível quando falamos, mas mais do que percebido quando escrevemos, é sempre bom não cometer erros, pois o emprego de “mal” é diferente do emprego de “mau”.

Basicamente, “mal” é usado como advérbio e conjunção e tem a palavra bem como antônimo, e “mau” é usado como adjetivo ou substantivo, tendo seu antônimo na palavra “bom”.

Ao pensarmos em “mal”, é comum vermos frases do tipo “Esse remédio faz mau pra você” e “Mau chegou, já foi abrindo a geladeira”. No primeiro exemplo, o emprego correto é “Esse remédio faz mal pra você” e, no segundo exemplo, o correto é “Mal chegou, já foi abrindo a geladeira”.

Já ao falar em “mau”, é comum vermos frases do tipo “Não seja um mal exemplo para o seu irmão” e “O mal de ter adquirido o produto foi o preço dele”. No primeiro exemplo, o correto é “Não seja um mau exemplo para o seu irmão” e, no segundo, “O mau de ter adquirido o produto foi o preço dele”.

São “maus” que complicam a nossa vida escrita, mas que fazem muito bem quando acertamos no emprego, por isso, na dúvida, substitua “mal” por “bem” e “mau” por “bom” e veja se a frase teve sentido. Se sim, o emprego está correto.

Dicas para um currículo melhor – Parte V

December 9th, 2009

Cada vaga é uma vaga


Uma ação muito comum ao procurar emprego é fazer um único modelo de currículo e distribuí-lo em lotes. Embora seja algo comum, é algo totalmente errado, a não ser que o candidato encontre vagas com praticamente as mesmas especificações e ofertas, coisa que é não é tão frequente.

O candidato não deve, de maneira alguma, inventar dados, mas tem que saber usar as próprias informações em um currículo, isto porque o currículo é o que vai primeiro mostrá-lo à empresa e, consequentemente, garantir a entrevista pessoal.

Cada vaga é uma vaga, sendo assim, é importante entender que além de se ter um currículo bem formatado e escrito, objetivo e claro, as informações nele devem estar dispostas de acordo com determinada oferta de emprego, pois cada oferta é uma oferta.

Além disso, antes de enviar o currículo, pergunte-se o seguinte:

· O currículo está com algum erro de português (gramatical, concordância etc.)?

· O objetivo está claro?

Depois de fazer essas perguntas , e olhando o currículo, avalie a sua carreira profissional reflita sobre os seguintes pontos:

· Tempo de intervalo entre cada emprego;

· Permanência média em cada emprego;

· Carreira em ascensão, parada ou em decadência.

Isso poderá ajudá-lo a entender não só como está a aparência do seu currículo, mas como está a sua carreira.

Dicas para um currículo melhor – Parte IV

December 7th, 2009

Informações complementares


Muita gente pensa que só devemos colocar informações extremamente necessárias no currículo, isto é, dados pessoais, experiência profissional, escolaridade e idiomas. Essas informações são necessárias, claro, mas há outras informações que também o são, como as informações complementares.

Atualmente, as empresas estão dando cada vez mais importância e valor a outras informações que não as “extremamente necessárias”. As informações complementares podem ser extremamente necessárias em processos seletivos acirrados, já que elas podem estabelecer uma certa “diferenciação” entre os candidatos.

O campo Informações Complementares pode ser preenchido com os seguintes dados:

· Intercâmbios e experiências no exterior;

· Divulgação de nome de site, blog e/ou comunidade gerenciado pelo candidato;

· Divulgação de publicação de conteúdo, como artigos, trabalhos de iniciação científica etc.;

· Participação em trabalhos voluntários.

Extremamente necessário é o que pode fazer a diferença em um processo seletivo, por isso, não deixe de inserir informações complementares que farão a diferença no processo de seleção de determinada vaga.

Quando há confusão com os “cercas”!

December 3rd, 2009

É muito comum vermos alguém errar o uso de “há cerca de”, “cerca de” e “acerca de”. Embora na fala – ou linguagem oral – seja praticamente impossível distinguir tal uso, na escrita – ou linguagem escrita – o erro fica muito claro.

Há cerca de é uma expressão formada pelo verbo “haver” mais a locução “cerca de” e tem sentido de tempo decorrido e/ou quantidade existente, como, por exemplo, “Cheguei nesta cidade há cerca de 8 anos” e “Há cerca de 150 graduandos na palestra sobre Filosofia”.

Acerca de é uma locução prepositiva que significa “relativo a”, “sobre” etc., como, por exemplo, “Os graduandos estavam falando acerca da palestra de Filosofia” ou “Esta palestra trata do problema acerca da fome”.

Cerca de é uma locução adverbial que significa “aproximadamente”, “mais ou menos” etc., como, por exemplo, em “Moro cerca de 10 km daqui” ou “Conversei com cerca de 10 pessoas ontem”.

É fácil escrever certo o que falamos, basta um pouco de atenção e prática, pois embora seja imperceptível o uso dos “cercas” na fala, saber a diferença deles na escrita pode ajudar, e muito!

A praga do ONDE

November 13th, 2009

Falamos muito de pragas como baratas, ratos, entre outros, e esquecemos que um desses maus que assola nossa comunicação é a bendita praga do ONDE. Atualmente, muita gente usa o advérbio de lugar “onde” para qualquer situação e de forma tão natural que chega a desanimar a pessoa com quem se conversa e até mesmo prejudicar, em determinadas situações, o próprio falante.

O advérbio de lugar “onde” é utilizado para se falar de lugar estático, como em “A casa onde moro”, “Onde você estuda?”, “Onde fica o banco?”, não de qualquer outra coisa e em qualquer outra situação. Quando usamos esse advérbio indiscriminadamente damos localização física às coisas que sequer são realmente físicas, como, por exemplo, “O rapaz falou sobre a crise e a situação onde o país se encontra” e “A passagem onde cita o amor entre Romeu e Julieta é linda”, em que “situação” e “passagem” viraram lugar. A construção correta é “O rapaz falou sobre a crise a situação em que o país se encontra” e “A passagem que cita o amor entre Romeu e Julieta é linda”.

Há muitos venenos que se tornam remédios para matar ratos, baratas etc., e há muitas dicas, gramáticas e um pouco de atenção que também se tornam remédios para matar a praga do ONDE e ajudar a melhorar a expressão dos falantes nas mais diversas situações comunicativas.

Em vez disso ou ao invés daquilo?

November 9th, 2009

Mesmo sabendo que uma forma de se expressar bem é evitar falhas comuns, muita gente ainda se confunde com as famosas locuções “em vez de” e “ao invés de”, que são um prato cheio para erros pequenos que, às vezes, causam problemas ora pequenos, ora médios e ora grandes, seja na comunicação oral, seja na comunicação escrita.

A confusão se dá porque os significados até certo ponto são semelhantes, já que tais expressões podem significar “ao contrário de”. Podemos tanto dizer “José aumentou sua fazenda ao invés de diminuí-la” quanto “José aumentou sua fazenda em vez de diminuí-la”, isto porque “aumentar” é o oposto de “diminuir”, igualando, assim, o significado das duas locuções.

A locução “ao invés de” tem somente o significado de “ao contrário de”, “o inverso” e tem seu uso restrito porque só pode ser empregada quando as ideias são contrárias, isto é, “Ao invés de amá-lo, passou a odiá-lo”, “Ao invés de importar mercadorias, a empresa começou a exportar mercadorias” etc.

A locução “em vez de” – que também significa “ao contrário de” e é bem mais utilizada – significa “no lugar de”, como “Estudei inglês em vez de francês”, não “Estudei inglês ao invés de francês” porque francês não é o inverso de inglês.

Simples são as falhas comuns que acontecem de forma incrivelmente fácil, mas com um pouco de esforço e atenção, tais falhas somem e nos ajudam na eficácia de nossa comunicação de forma extremamente rápida, por isso é importante não usar muletas para falar, muito menos cometer erros, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

Muletas que derrubam qualquer cartão de visita

October 21st, 2009

Embora a comunicação oral seja um dos primeiros cartões de visita de qualquer pessoa e em qualquer situação social, ainda há aqueles que, por vício, demonstram falta de atenção ou até mesmo comodismo, e usam, para falar, muletas, bordões e o famoso gerundismo, sem perceber que esse uso só os prejudica.

Segundo o dicionário on-line Houaiss, a palavra “muleta” significa “bastão comprido, com encosto na parte superior adaptado à axila, no qual se apóia aquele que tem dificuldade de caminhar”, portanto, algo necessário para manter-se erguido, usado por pessoas com dificuldade para caminhar. Adaptando à linguagem, algo necessário para manter ou enfeitar uma conversa, usado por pessoas com ou sem dificuldades para se comunicar. Já a palavra “bordão”, ainda conforme o mesmo dicionário, é uma “expressão ou frase que um indivíduo repete viciosamente ao falar ou escrever”. Além de muletas e bordões, ainda há o emprego do gerundismo, uso errôneo e vicioso do gerúndio.

As muletas podem realmente derrubar a primeira impressão que se deseja causar. O uso de expressões como “no sentido de”, “a nível de” e “tipo” podem destruir uma imagem. Não faz sentido – e não é elegante ou requintado – o emprego de “no sentido de”, como em “fizemos determinado ajuste no sentido de melhorar o produto”, quando se pode usar simplesmente a preposição “para”, que é muito clara, simples e eficiente.

Além de errado, também é prejudicial para a boa impressão o emprego de “a nível de”, como em “a nível de dinheiro, estou muito bem”, quando se pode simplesmente dizer “estou muito bem porque tenho dinheiro”; importante ainda ressaltar que essa locução é refutada pela maioria dos gramáticos, mas só está correta quando utilizada com dois sentidos: “à mesma altura” (Ontem, São Paulo amanheceu ao nível do mar) e “de âmbito” (A mudança será realizada em nível nacional).

Já o emprego de “tipo” é algo que precisa ser evitado a todo custo, porque em nenhum momento, nos casos de vício e muleta, a pessoa está representando o tipo de alguma coisa, e quando o está, poderia diversificar a linguagem e usar sinônimos.

Livrar-se não só desses supostos amparos da fala, mas também de outros é o caminho para não prejudicar a comunicação. Os bordões, por exemplo, são uma linguagem tão específica e coloquial, que seu uso em situações formais pode ser um desastre homérico. Esse é um dos motivos pelo qual os bordões como “é a treva”, “não é brinquedo”, “é mara”, e muitos outros, devem ser empregados em situações extremamente íntimas, com família, amigos etc.

O gerundismo, uso errôneo e vicioso do gerúndio (forma nominal do verbo terminada em NDO), é outro boomerang que com certeza volta, mas contra o usuário. Em vez de usar muitos verbos em uma mesma frase, como “vou estar transferindo sua ligação”, é muito mais fácil e, com certeza, menos danoso usar menos verbos, como “vou transferir sua ligação”, “vou atendê-lo neste momento” etc. A utilização correta do gerúndio para expressar uma ação com duração no futuro ocorre, mas essa ação realmente deve estar no futuro. Por exemplo, está corretíssimo dizer “Não me ligue amanhã às 14h porque vou estar almoçando”, pois a ação terá uma duração de tempo no futuro e não é algo que você simplesmente pode executar no momento da fala, como em “vou transferir”, “vou almoçar”.

Para um cartão de visita causar boa impressão em situações sociais diversas, ele precisa se apresentar bem. Na comunicação oral, apresentar-se bem é falar clara e precisamente, sem muletas que podem nos derrubar a qualquer momento.